O orçamento mostra uma expectativa: quanto a obra deveria custar. O custo real mostra o que aconteceu de fato, com os preços praticados, a produtividade obtida e os imprevistos que apareceram. Este guia explica quais gastos entram nessa conta, como calcular passo a passo e por que o resultado quase sempre difere da previsão inicial.
Dashboard executivo — indicadores da obra em um só lugar
O que é o custo real de uma obra?
Custo real é a soma de tudo que foi efetivamente consumido para executar a obra, medido pelos documentos da execução: notas fiscais, folhas de pagamento, medições de empreiteiros, contratos de locação, comprovantes de frete.
É um número construído durante a obra, não estimado antes dela. Por isso ele só é confiável quando os lançamentos são feitos com regularidade e com o devido endereço de etapa e categoria.
Qual a diferença entre custo orçado e custo real?
O custo orçado nasce de quantitativo de projeto multiplicado por preço de composição, com encargos e BDI aplicados sobre o custo direto. Ele é uma projeção defensável, mas ainda assim uma projeção.
O custo real é histórico. Ele registra o preço que o fornecedor cobrou naquele mês, a quantidade que realmente foi consumida com perdas e o tempo que a equipe efetivamente levou. Confundir os dois é o que faz uma obra parecer lucrativa até a última nota chegar.
A regra é simples: entra tudo que existe por causa daquela obra. Deixar itens de fora produz um custo artificialmente baixo, que depois vira surpresa no resultado da empresa.
Materiais aplicados, considerando perdas e quebras
Mão de obra própria com salários, encargos e horas extras
Serviços terceirizados e empreitadas medidas
Equipamentos: manutenção, combustível e depreciação de uso
Locações de equipamento e estrutura de canteiro
Fretes, transporte e descarga
Custos indiretos da obra: engenheiro, mestre, vigilância, canteiro, consumo de água e energia
Outros gastos ligados diretamente à obra, como ensaios, taxas e licenças
Como calcular o custo real passo a passo
O cálculo é uma consolidação organizada, não uma fórmula única.
1. Defina o período de apuração: mês, etapa ou obra inteira
2. Reúna todos os documentos do período, com data e fornecedor
3. Classifique cada valor em material, mão de obra, equipamento ou serviço
4. Vincule cada valor à etapa ou atividade que o consumiu
5. Ajuste o material pelo estoque: some o que foi aplicado, não o que foi comprado
6. Acrescente os custos indiretos da obra do período
7. Some por etapa e depois consolide o total da obra
8. Compare com o valor orçado das mesmas etapas para ler o desvio
Considere a etapa de estrutura de uma obra, em um mês de apuração. Concreto e aço aplicados somaram R$ 62.000; a equipe própria custou R$ 28.000 com encargos; a locação de escoramento foi de R$ 7.000; o frete de material, R$ 3.000; e a parcela de custos indiretos da obra atribuída ao mês, R$ 9.000.
O custo real da etapa no mês é R$ 109.000. Se o orçamento previa R$ 100.000 para a produção que foi medida nesse período, existe um desvio de R$ 9.000, ou 9% acima do previsto.
Observe o cuidado com o material: se no mês foram compradas R$ 80.000 em barras de aço, mas apenas R$ 62.000 foram aplicadas, o restante permanece em estoque e não pertence ao custo real do período.
Por que o custo real pode ser maior que o orçamento?
Nem todo desvio é erro de orçamento. Preços de insumos variam, produtividade depende da equipe e do clima, e projeto muda durante a obra.
As causas mais comuns são compra fora do preço orçado, perda de material acima da prevista, produtividade menor que a estimada, retrabalho, escopo adicional executado sem aditivo e BDI mal dimensionado para o risco do contrato.
Como acompanhar o custo real durante a execução
Calcular o custo real apenas no fechamento serve para aprender com a obra seguinte, mas não salva a obra atual. O acompanhamento contínuo é o que permite agir.
Para isso, o custo precisa ser apurado em ciclos curtos e comparado com o valor agregado pela produção medida, item a item.
Como o ORENGI ajuda a acompanhar o custo real da obra
No ORENGI, cada lançamento de custo já entra classificado por categoria e vinculado à etapa ou atividade, com nota e comprovante anexados. O estoque separa o material comprado do material aplicado, e as medições geram o valor agregado usado na comparação.
O resultado é o custo real da obra atualizado a cada lançamento, por etapa e por mês, com indicadores e projeção de custo final.
Não. O custo real reúne os gastos efetivos da obra. O BDI é a taxa aplicada sobre o custo para formar o preço de venda, e entra na comparação com o valor contratado, não na apuração do gasto.
Material comprado e não aplicado entra no custo real?
Não no custo real do período. Ele é custo incorrido e permanece como saldo de estoque até ser aplicado na obra, quando passa a compor o custo real da etapa que o consumiu.
Custos indiretos como engenheiro e canteiro entram na conta?
Sim, quando existem por causa daquela obra. O comum é atribuir esses valores por período, mês a mês, distribuindo-os entre as etapas em andamento.
Faça isso dentro do ORENGI
O que este guia explica em etapas manuais já vem pronto no ORENGI, ligado do orçamento à medição.